Arquivo Histórico do Radioamador Brasileiro
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JOAQUIM ADÃO UGO DE LIMA - PY5JL
O Lima - PY5JL é gaúcho, natural de Machadinho, então distrito de
Lagoa Vermelha, casado com ELMA NERY LIMA - PY5ACW (completaram bodas de
ouro em maio/2003), oficial da reserva do Exército Brasileiro, Conselheiro
Permanente da LABRE/PR, padrinho da Rua Padre Landell de Moura, aí de
Curitiba, onde atualmente reside.
O DISCO GAÚCHO
No segundo semestre de 1913, instalou-se em Porto Alegre, Rio Grande
do Sul, em uma construção com 27 metros de frente, na Rua Sergipe, nº.
9, entre os bairros da Glória e Teresópolis (distante do centro de Porto
Alegre, na época) a gravadora "A ELÉCTRICA", que produzia os DISCOS
GAÚCHO.
Seu proprietário era um italiano, com 40 anos, casado, com três
filhos e natural da Calábria. Seu nome: SAVÉRIO LEONETTI.
Sabe-se que ele esteve nos Estados Unidos e que depois de radicado
no Rio Grande do Sul, voltou à Itália, visitando parentes, quando
manteve contato com seus irmãos cremoneses Aquiles e Carlos, residentes
em Milão. Desse encontro, resolveu se dirigir a Hamburgo, na Alemanha,
onde adquiriu todo o maquinário indispensável para gravação e prensagem
de disco, material e técnica da época do gramofone.
Trouxe consigo, também, Leonetti, quando de retorno a Porto Alegre,
mão-de-obra especializada e ao mesmo tempo, uma série de matrizes
alemãs, já prontas, as quais deu títulos curiosos e particulares, quando
as divulgou por sua firma.
Em torno de seis anos se manteve Savério Leonetti gravando e
prensando discos que eram vendidos em Porto Alegre, na sua também Casa
comercial "A ELÉCTRICA", situada na Rua dos Andradas, nº. 302, defronte
a antiga Casa Masson, e que mantinha "o maior sortimento de artigos
phonográphicos do Estado e único fabricante dos afamados Gramophones
marca "ELÉCTRICA" e "DISCO GAÚCHO".
Criou ele o selo "GAÚCHO", no qual aparecia um campeiro montado a
cavalo num cenário campestre. A etiqueta sofreu, no transcurso da sua
existência, modificações quanto ao desenho e cores.
Lançou Leonetti, através das "chapas" de 20,5 e 25 cm de diâmetro,
gravadas em uma face ou em duas, dezenas de composições rio-grandenses,
gravando, inclusive, com grupos do interior do Estado, especialmente da
região colonial alemã.
Grandes artistas do Rio de Janeiro e São Paulo e mesmo os
estrangeiros que chegavam à capital gaúcha integrando Companhias do
Teatro e Revista, acabaram deixando sua voz ou som de seus instrumentos
na gravadora de Savério Leonetti, e que, como era característica da
época, no disco, se fazia anunciar pela voz do Paulinho, seu sobrinho,
que gritava "Gravado para a Casa A Eléctrica, Porto Alegre".
Manteve, outrossim, ao que parece, intercâmbio comercial com
gravadoras nacionais e estrangeiras, distribuindo seus discos por outros
Estados e mesmo prensando matrizes não originais de sua etiqueta.
Das pesquisas realizadas, nos foi possível catalogar 326 discos com
o número do selo, intérprete, gênero, dentro das características
discográficas vigentes na época. Desse registro, 112 correspondem a uma
numeração de um disco para duas músicas. O que vale dizer que foram
arroladas 56 produções.
Dentro dos "Grupos" que gravaram para o selo "GAÚCHO" destacamos:
Infernal, Bailante, Choroso, Gaúcho, Facões, Fanáticos, Lira, Cahyense,
Hamburquez, Sulferino, etc.
Além de 3 bandas e diversos quartetos, quintetos e sextetos,
lembramos os cantores: Os Geraldos, Arthur Budd, Duarte e Sra. Augusta,
Fred Bernardi, Pitoco e outros, alguns conhecidos e aplaudidos por
cariocas e paulistas, onde tinham sua vida artística principal.
Os ritmos predominantes das gravações, afora os discursos políticos
inflamados de Carlos Cavaco, os Hinos (brasileiro e francês) e arranjos
cômicos eram: valsa, mazurca, polka, havaneira, dobrado, modinha, fado,
etc.
Merece se registrar nesta oportunidade, um aspecto relacionado aos
primórdios das gravações brasileiras, quando ainda não se havia rotulado
em definitivo o rítmo "samba" para uma música, já Savério Leonetti,
incluía no repertório de sua fábrica "Sambas Carnavalescos" como: Ya Ya
me diga (nº. 4040); Ya Ya vem à janela (nº. 4044) e outros "sambas": Nha
Maruca foi s'embora (nº. 683).
Também chamamos a atenção para o que nos parece ser o primeiro solo
de acordeon (instrumentos que o gaúcho chama de "gaita" e assim
constando no selo da Casa A Eléctrica) registrado na discográfica
brasileira, através das interpretações do célebre Maestro Cav. Maisé
Mondadori.
Em 1913, a Casa Edison instalava no Rio de Janeiro a primeira
fábrica de discos da América do Sul - segundo o pesquisador Ary
Vasconcelos. É certo que o "Disco Gaúcho" de Savério Leonetti para a
Casa "A Eléctrica", de Porto Alegre, tem sua partida posta à venda em 25
de outubro de 1913.
Fazemos então a seguinte interrogação: teria a Casa Edison lançado
seus discos antes dos "Discos Gaúchos"?
De qualquer maneira parece-nos que Savério Leonetti instalou no
Brasil, se não a primeira, pelo menos a segunda fábrica de discos em
território nacional, e quiçá, no Continente Sul-americano.
13/maio/2003
Ivan - PY3IDR
e-mail: ivanr@cpovo.net