JOSÉ RAMOS DE CARVALHO, PY2AAM


“Um radioamador que antes de tudo, ao recordar os QSO, só vê passarem motivos de felicidade e grande alegria de ter amigos e acompanhar os passos desses veteranos que dão glória ao Radioamadorismo brasileiro”. Estas as palavras com que o nosso apresentado nesta edição de E-P encerra o “resumo” de seu histórico como radioamador e como veterano. E, do que nos foi relatado pelo colega PY2AAM, José Ramos de Carvalho, iremos aproveitar o máximo, como se segue: “Depois de contar até dez, venho me apresentar para participar com os demais colegas dessa Galeria dos Veteranos do Rádio, historiando quando e como me iniciei no Radioamadorismo. O ‘banho de R.F.’ foi quando servia no Exército Brasileiro - Arma de Engenharia - Cia. de Transmissões - 4 BE - em Itajubá, Minas Gerais, pois para aí fui incluído, como os demais selecionados, para o Serviço de Comunicações, recebendo aulas práticas de radiotelegrafia e sinais Morse. Passaram-se os anos e, lá um belo dia, a saudade veio... Reiniciei os estudos de montagem e reparações, os quais foram interrompidos diversas vezes por ocasião da II Guerra Mundial e, pelo ano de 1945, logrei terminar a minha primeira montagem de um receptor de 7 válvulas. Em uma das últimas aulas de transmissão havia um circuito de 3 válvulas: uma 45, outra B-406 e na retificação uma ‘moderna’ 80. Por não dispor dessas válvulas, exceto a 80, e, como aprendi nas lições, usei como osciladora do circuito Hartley uma 42; substituindo a moduladora B- 406, empreguei uma válvula 75 no conjunto triodo. A retificadora era com a fonte, a mesma do receptor recém-montado... O microfone de carvão tinha para seu acoplamento um transformador de campainha de 110 X 12 volts. Tudo pronto, tudo montado. Faltava experimentar para ‘ver’ se ‘aquilo’ realmente funcionava... E, em uma tarde de domingo, após ouvir um QSO do hoje meu grande amigo PY4MI, Eder Guimarães, já em suas habituais despedidas do PY, declarando que iria sintonizar toda a faixa, liguei o conjunto rapidamente, não sem antes haver ‘ligado’ a antena que era nada mais nada menos que um arame utilizado para varal de secar roupas... Chamei-o pelo indicativo. Para minha alegria e maior surpresa, ouvi- o retornando para mim! Emocionado por ter realizado tal feito, jamais pensado, reportei-o (como se dizia na época) e devolvi-lhe rapidamente, a palavra. O eder, PY4MI, volta insistindo para que o operador (no caso era eu!) se identificasse com o indicativo e o nome!!! Dando duas letras e dizendo que meu transformador estava soltando fumaça, desliguei o equipamento, permanecendo, entretanto, na coruja, para ver o que resultaria dessa minha façanha. PY4MI continuava operando e insistindo para que o colega’ permanecesse no ar, pois estava chegando como uma bomba dinamite (terminologia de então). Não querendo ser um clandestino, e feliz pelo êxito obtido nessa primeira experiência, permaneci longo tempo na escuta, ouvindo quando o PY4MI, fazendo referência ao indicativo ‘fajuto’ que lhe dera, dizia que havia alguém que estava operando fora da lei... Alguns dias passados, consegui localizar o QTH do PY4MI. Identifiquei-me e pedi todas as informações necessárias para ingresso na LABRE e no Radioamadorismo. Nessa semana, cinco dias após a ‘experiência’, entreguei-lhe todos os documentos exigidos para inscrição nos exames. E foi assim que, em 5 de novembro de 1946, recebendo a licença e indicativo oficial de PY4PU, fui batizado pelo colega Jair, PY4OI. Daí para frente outras modificações experimentais foram realizadas com maior tranquilidade e que permitiram a feitura de inúmeros comunicados com o Brasil e exterior, granjeando amizades que até hoje muito prezo. Por motivo de transferência de Região, em 9 de outubro de 1959 passei a operar como PY2AAM, aqui desta cidade hospitaleira das terras de São Paulo: Taubaté. Muitas coisas pitorescas têm acontecido, como outras agradáveis, que também fazem feliz o nosso próximo... Há os espinhos e momentos que nós procuramos deixar de lado para não estragar o que há de bom e útil. Há momentos de paz, alegria, desespero e tristezas. Isto é a vida. E quantas vezes num QSO voltamos a nos encontrar? Voltamos à Paz Espiritual? Voltamos a reencontrar ou formar uma nova amizade?... Desde 1977 venho operando com um equipamento Iaesu FT-101E, em SSB, mas guardando recordações saudosas daqueles tempos que já integram as páginas da história. E esta é a minha...” * * * Caro PY2AAM, José Ramos de Carvalho, creia na satisfação com que todos nós do GV o recebemos como um novo integrante do Grupo, em nome do qual fica aqui nosso cordial 73!
FONTE: Revista Eletrônica Popular, junho/1980, pags. 636-638.