Arquivo Histórico do Radioamador Brasileiro

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PORQUE SOMOS RADIOAMADORES

Imaginemos alguém totalmente afastado da vida radioamadorística, sem 
nunca ter  visto um equipamento dos que utilizamos, nem participado de 
nada a que se  refira ao nosso "hobby".   
  
Para esse alguém perceber a evolução tecnológica da produção em série de  
sofisticados transceptores, antenas, etc., poderá ser até uma tarefa 
simples.  Do mesmo modo, entender a eficiência como estas transmissões se 
realizam em  âmbito mundial, tal fato se evidencia ainda pelo aspecto 
tecnológico.     
Resta porém, algo que para o leigo absolutamente não faz sentido. É algo 
que  foge ao entendimento normal de um indivíduo preocupado com o 
dia-a-dia e com o  materialismo da vida. E lhe vem à mente algumas 
perguntas inquietantes:   
  
—O que esta pessoa está buscando num contato tão distante, com alguém que  
nunca viu e que provavelmente nunca conhecerá?   
  
—Qual a recompensa deste tipo de contato?   
  
—Qual o interesse na transmissão de algumas mensagens a pessoas totalmente  
estranhas?   
  
Na resposta a essas perguntas, descortina-se todo o fascínio do  
radioamadorismo. A este fascínio permitimo-nos chamá-lo de "Espírito 
Universal  de Radioamador".   
  
Este "estado de espírito" tem suas características próprias.   
  
Não pode ser confundido com o simples contato telefônico à distancia, que,  
muito embora tenha características de diálogo, não vai alem disso. Não 
existe  aí nenhuma ligação maior, não há aquele envolvimento, aquele afeto.  
  
  
Aquele simples 73 enviado ou recebido, por fonia ou CW ao colega do outro 
lado  da Terra, reveste-se de um sentido muito especial. Conseguimos fazer 
como se a  Terra ficasse pequena para conter o tamanho do nosso abraço. 
Não importa quem  seja aquele que nos abrace.   
  
Sentimo-nos unidos apesar (e por causa) da distancia.   
  
Essa união universal, feita através das ondas que se propagam pelos céus, 
com  toda certeza chegam sempre ao seu destino impregnadas de algum 
perfurme  celestial, arrastado no seu trajeto.   
  
Acreditamos ser este aspecto o mais relevante de tudo o que diz respeito 
ao  radioamadorismo.   
  
Não importa o número de watts do transmissor ou o número de elementos da  
antena. De igual maneira, não importa o grau de sofisticação do "Shack" ou 
dos  DB's a mais de ganho.   
  
Esses itens perdem por completo seu sentido se, os que transmitem ou 
recebem  não estão revestidos do "Espírito Universal de Radioamador".   
  
De nada adiantam as Associações, Labres, regulamentos e legislações se, 
o teor  maior daquele que se comunica não leva consigo a aproximação de 
todos os homens  do mundo.   
  
(PY2NR, Paulo Mandsen, QTC Bandeirantes, Ano II, No 7, Jul/96, p.3)