O RÁDIO, ESSE VELHO CONHECIDO...
*Por João Ricardo Bergamini
Quando surgiram as primeiras emissões de TV, lá pelo início da década de 1950, surgiu uma onda de promessas, ecoadas de todos os cantos, proclamando o fim da era “Rádio”... Este, por sua vez, ignorando o “poderio televisivo” e as tais promessas, permaneceu lá, sublime, singular, poderoso...
Anos de liderança do Rádio, vieram as transmissões em cores da mesma TV. O Rádio nem tomou ciência; com o advento das emissões via satélite das televisões; a febre das videotecas, TVs por assinatura e até mesmo, quem diria a grandiosa rede mundial de computadores, a filhinha internet e pasmem século XXI e quem continua imbatível e sobrevive!...Sim, mais uma vez ele, o velho e bom Rádio!
Como diriam os antigos: esses profetas e “entendidos” do assunto de comunicação, literalmente, queimaram a língua proclamando o fim da era “Rádio”.
Ah, e por falar na filhinha das telecomunicações, a internet, alguns sites, vendo que realmente o Rádio não perderia seu espaço trazem aos “navegadores”, rádios on-line nas suas páginas. Sim o mesmo Rádio que continua firme...Já pensou o homem simples do campo, cuidando da sua roça, lá no meio do nada, com um notebook, dependurado numa sombrinha de uma árvore qualquer, conectado a Web via satélite, ouvindo sua rádio de programação sertaneja!...(que parafernalha tão sem vida essa coisa de internet, quando comparada com o velho “radinho a pilha...”.). Querem roubar aquela imagem, do velho receptor de Rádio e por em cena essas máquinas de linguagem matemática que só entendem de 0 e 1 e não sabem nada do Rádio...
Aproveitando a carona, os maiores e conceituados fabricantes de Rádios no mundo inteiro, continuam a colocar no mercado o velho Rádio! Então existe clientela e a indústria sabe disso. Os equipamentos das emissoras de Rádio acompanham a evolução.Utilizam tecnologia “high tech”, estão cada vez mais sofisticados e os empresários da área não perdem tempo.
Sim, o velho e bom Rádio sobrevive! È verdade. Mas, como nem tudo é eterno, muitas boas emissoras não conseguiram se manter.Inúmeras perderam voz e se calaram ao longo das últimas décadas.A falta de interesse do atual público ouvinte, por cultura, boa música e programações afins, contribuiu de maneira drástica para que isso se perpetuasse.
Com as Rádios regionais e locais a coisa é ainda pior. Já não bastasse a falta de profissionalismo em se manter uma emissora no ar, essas perderam totalmente sua identidade, se é que já tiveram.São apenas “mais uma’ no dial. Sem vida, sem a beleza do Rádio em si, todas iguais, com as mesmas (péssimas) programações, sem criatividade alguma... é uma pena”.
Raríssimas exceções, o Rádio foi assassinado, vendido. Perdeu sua alma, sua essência.Digo da programação desse secular, espetacular e possante meio de comunicação (consegue “chegar” onde a imagem não consegue).De uns anos pra cá foi escravizado à religião, músicas e programas de péssima qualidade, sem cultura alguma.Impossível ouvir a maioria demissoras em AM e FM dada a total falta de bom material a ser enviado ao ouvinte exigente, a não ser horas e horas de propagandas, gritarias de “comunicadores” (não existe mais a imagem do locutor), programas que não acrescentam nada...Sem falar nas programações de rede nacional, que nada se identificam com a cidade da emissora retransmissora.
O bom Rádio consegue sobreviver, mas poucas são essas emissoras nas cidades pequenas e outras mais em algumas capitais do Brasil e de outros cantos do mundo. Rede Bandeirantes de Rádio (SP), Rádio Cultura da Fundação Padre Anchieta (SP), Rádio Nacional da Amazonas, entre pouquíssimas outras, prestam um verdadeiro serviço em radiodifusão sonora, com qualidade de programação, quer seja em músicas, utilidade pública, notícias de credibilidade, enfim.Essas possantes emissoras ainda mantêm seus sinais em diversas faixas de freqüências e preservam o Rádio como ele deve ser.Claro que daria para enumerar algumas outras excelentes emissoras, mas mais fácil ainda seria citar as piores...Mas não vamos ficar maltratando o Rádio, pois rádio por rádio, além de congestionar o espectro eletromagnético, “suja” o ouvido, polui a mente e não serve.Rádio é outra coisa...Parabéns às “Verdadeiras” emissoras!
Se hoje você recebe e envia fotos por aparelhos telefônicos celulares; comunica-se “ali” na Austrália; assisti boas ou más notícias da Europa; conecta-se a uma página dos EUA, ou mesmo ouve sua emissora de rádio preferida... Olha, isso é tão comum que já não causa estranheza alguma, a ninguém, nem mesmos as crianças, digamos de uns cinco anos de idade, que já possuem seus incríveis (para não dizer, assustadores, pelo tamanho e pela emissão de radiação prejudicial) aparelhinhos de “celular”...Os mais antigos, aproveitando a carona dos netos, migram para essas novas tecnologias...
Tudo isso é possível, pois, anos e anos atrás, os nossos cientistas e físicos estudavam e descobriam as maravilhas que hoje passam despercebidas.
Na história das Telecomunicações, um lugar de honra pertence a um brasileiro, O PADRE CIENTISTA PORTO-ALEGRENSE ROBERTO LANDELL DE MOURA.
O reverendo Pe. Robertto Landell de Moura requereu e obteve três patentes de invenção, nos EUA, a saber:
1. Transmissor de onda
2. Telefonia sem fio
3. Telegrafia sem fio.
· 1873 - JAMES CLERK MAXWELL – físico – desenvolveu a teoria das vibrações eletromagnéticas. Surgiam, assim, as famosas equações de Maxwell.
· 1885 – HEINRICH RUDOLPH HERTZ – físico alemão – comprovou a teoria das ondas eletromagnéticas de Maxwell. Daí o nome “ondas Hertezianas”. Determinou a velocidade de propagação da onda no espaço livre 300.000 Km/s.
· 1890 – EDUARDO BRANLY - físico francês – idealizou o famoso “coesor” – 1º detector de oscilações eletromagnéticas, ou receptor de rádio.
· 1892 – Sir WILLIAN CROOKES – físico inglês – Preveu a possibilidade do emprego das ondas eletromagnéticas para transmissão de sinais.
· 1893 – NICOLAS TESLA – físico iugoslavo – pronunciou, em conferência, a possibilidade de construir geradores de corrente de alta freqüência e de alta potência para transmissão de radiotelegrafia.
· 1894 – ROBERTO LANDELL DE MOURA – sacerdote e cientista fez experimentos com seu rádio, na Avenida Paulista (Brasil), cujos sinais forma captados no bairro Santana. Ele foi considerado maluco, acusado de bruxaria, pois era dado a falar com “vozes do além” e seu laboratório foi destruído.
· 1894 - Sir OLIVER LODGE – físico inglês – estudou os osciladores de ondas de Hertz. Fez experiências de transmissão e recepção de sinais a várias dezenas de metros de distância.
· 1895 – ALEXANDRE POPOFF – físico russo – Aplicou o coesor de Brandy demonstrando, publicamente, seu transmissor e receptor, inclusive recebeu o 1º radiograma transmitido por seu assistente que se encontrava em outro prédio. O telegrama constava duas palavras: ”Heinrich Hertz”.
· 1895 – GUGLIELMO MARCONI – era discípulo do professor de física Augusto Richi, isso aos 21 anos. Aperfeiçoou os aparelhos usados por Hertz.Em 1896, Marconi, em Londres, patenteou seu aparelho de transmissão e recepção.Fundou a Companhia Marconi.Foi pioneiro na comercialização das radiocomunicações.Desenvolveu o princípio do funcionamento das ANTENAS.
· 1899 – MARCONI envia uma mensagem de SOS, através do Atlântico por mais de 140 km Era concebida a radiotelegrafia.
· 1900 – PE. ROBERTO LANDELL DE MOURA, no dia 06 de junho, fez a 1ª transmissão da palavra humana articulada com vários aparelhos de sua invenção no intuito de demonstrar algumas leis por ele descobertas.
· 1900 – 2 ª transmissão da palavra humana articulada pelo canadense norte americano Reginald Aubrey Fessenden.
· 1907 – LEE DE FOREST – cientista inglês – inventou a válvula eletrônica, repercutindo num avanço extraordinário das técnicas de telecomunicações.
· 1917 – M. LUCIEN LEVY – cientista francês – inventou um receptor chamado “super-heteródino” mais eficaz do que os utilizados anteriormente.
· 1922 – Surge, a dois de novembro, a 1ª emissora comercial de Rádio no mundo. Era a WEAF, de Nova York.
· 1923 – A radiodifusão chega ao Brasil em uma demonstração feita por americanos. Nesse mesmo ano é feita a 1 ª transmissão de rádio em cadeia no mundo pela WEAF e a WNAC de Boston.
· 1923 – Surge a 1ª emissora de Rádio no Brasil. A Sociedade Rádio do Rio de Janeiro.
Durante o início da 2ª Guerra Mundial foi descoberto o Transistor, possibilitando miniaturizar os equipamentos.
Fontes:
Como podemos verificar, foram através de experiências, estudos e realizações de vários cientistas do século XIX, que hoje é possível dispor de “nossos brinquedinhos” modernos de comunicações. Todos esses físicos e estudiosos contribuíram, de maneira decisiva, para a evolução das telecomunicações.
Fazendo uma breve analogia das grandes descobertas mundiais: a do avião e a do Rádio. O primeiro fora utilizado, infelizmente, para destruição nas guerras.O segundo,raras exceções, é utilizado para poluir mentes com músicas e programas de péssima qualidade... Mas isso não quer dizer que o avião não seja um excelente meio de transporte, bem como o rádio não seja um excelente meio de comunicação. Toda regra, como dizia minha professora de português, tem exceção.
Algumas siglas utilizadas, também, em radiodifusão:
AM: modulação em amplitude ou amplitude modulada. A amplitude da portadora é modificada mediante alterações produzidas pelos sinais provenientes do estúdio.
FM: modulação em freqüência ou freqüência modulada. A freqüência da portadora é modificada mediante alterações produzidas pelos sinais provenientes do estúdio.
Dial: É o visor do aparelho receptor onde é mostrada, de forma analógica ou por meio de dígitos, a freqüência da emissora sintonizada.
MHz: submúltiplo de Hertz. Significa Mega-Hertz ou 1.000.000 de Hertz.Em homenagem ao físico que estudou as ondas.É usado para designar a freqüência de operação da emissora.
kHz: submúltiplo de Hertz. Significa Kilo-Hertz ou 1.000 Hertz.Em homenagem ao físico que estudou as ondas.É usado para designar a freqüência de operação da emissora.
Som “digital”: termo popular para dizer que o processamento de áudio é realizado por linguagem digital. Portanto, não é o “som” que é digital e sim o modo que ele e processado.
Estéreo: designa dois canais de transmissão. Um canal direito e um canal esquerdo, separados por circuitos eletrônicos denominados codificadores e decodificadores, através da transmissão e recepção multiplexada.Utilizado para transmissão musical de alta fidelidade.
Watts: Unidade usada para determinar a potência nominal do radiotransmissor, de acordo com o seu fabricante. Não traduz a potência que está sendo transmitida. Está, por sua vez, envolvem cálculos complexos (ERP) e não é igual a do transmissor.
Sintonia: é a ação externa junto ao receptor de rádio, onde selecionamos a freqüência de operação da emissora.
Freqüência: grandeza física utilizada para determinar o número de vezes que um evento ou algo se repete ao longo de um determinado tempo. Sua unidade é o Hertz, em homenagem ao cientista que a estudou.
Onda eletromagnética: as ondas de rádio se propagam (se difundem) pelas ondas eletromagnéticas a qual possui comprimento e freqüência determinada pela fonte que a gerou.
Ondas Médias: faixa de freqüência compreendida entre 300 a 3000 Khz.
Ondas Curtas: faixa de freqüência compreendida entre 3 a 30 MHz.
Faixa de AM: designação popular. Faixa onde operam emissoras com freqüências compreendidas entre 530 a 1600 kHz. (no caso do Brasil).
Faixa de FM: designação popular. Faixa onde operam emissoras com freqüências compreendidas entre 87.9 a 107.7 MHz. (no caso do Brasil).
João Ricardo Bergamini
Radioamador PY4TW
Nascido em Barbacena começou a gostar do ramo de eletricidade quando ainda criança.
Nas suas visitas constantes a um tio de seu pai, Carlito Discacciati, que era eletricista enrolador de motores elétricos, se fascinava ao ver “aquela bagunça” e emaranhado de peças e instrumentos elétricos.
Também gostava de ficar ouvindo o velho rádio valvulado que existia na casa de sua avó, que acabou sendo desmontado para ver como era por dentro...
Sem falar nas vezes em que pedia para seu pai “parar” nos postos de polícia a fim de ver como funcionava o rádio de comunicações...
Seu apelido no grupo escolar era “rádio velho...” vendia ferro-velho para comprar as revistinhas de eletrônica da época... Lá mesmo demonstrava suas “invenções”...Montava suas próprias emissoras de rádio.
Autodidata, ganhou um curso de eletrônica por correspondência, de seu pai, aos 12 anos de idade. Passava mais tempo nas oficinas de eletrônica da época, do que em casa, bem como visitava freqüentemente as nossas velhas e boas emissoras de rádio...
Radioamador classe A, do serviço de radioamador.
“Trabalha” vários países do mundo e regiões do Brasil utilizando-se de código Morse (telegrafia), em sua estação de amador (vide foto). Dedica-se, também, a escuta de emissoras radiofônicas nas faixas de ondas longas, médias, tropicais e curtas.
A fascinação é a mesma hoje e, não fosse à invasão da informática, mais lindo ainda seria. A gente entra num estúdio da maioria das rádios e, pasmem, o que vemos? Um microfone, um teclado e um monitor de vídeo... Quanta pobreza...Até os transmissores, os moderninhos, se tornaram anões...Somente as torres e antenas é que ainda não foram decapitadas...Mas não há problema...O Rádio em si, de meu tempo de guri, ainda traz a mesma paixão e admiração por seu poderio técnico e de mídia. Afinal de contas, a base da eletrônica e das telecomunicações, essa sim, será eterna...Isso não será ceifado...
Mas é isso. Rádio é uma coisa muito interessante e até mesmo misteriosa. A gente estuda, trabalha e conheço um pouquinho do assunto, porém quando paramos para ouvir uma emissora lá do Vaticano, por exemplo, a paixão é a mesma de meus tempos de moleque... Ah, e por falar em Rádio Vaticano, ela foi a primeira emissora no mundo a levar ao ar a notícia sobre a morte do Papa João Paulo II.Claro que ela se encontra dentro de Roma, mas mesmo assim vemos o poder do rádio frente à rede de computadores, canais via satélite e outras mídias por aí afora... O rádio, esse velho conhecido...