Acidente com o AF-447. Notícia publicada no Jornal Zero
Hora
(02.jun.09):
MISTÉRIO NO VOO 447
- Ajuda pelo rádio
Servir de apoio à Marinha e à Aeronáutica em
operações de resgate é rotina para André Sampaio.
Aos 59 anos, dono de pousada e restaurante em Fernando
de Noronha, possui equipamentos de transmissão de
radioamador. Ele auxilia desde as 8h de ontem nas buscas
pelo avião da Air France que desapareceu no Oceano
Atlântico.
Sampaio soube do desaparecimento da aeronave às 8h de
ontem, quando recebeu ligação da Marinha solicitando
utilização de seus equipamentos. Espécie de trabalhador
autônomo das Forças Armadas em resgates em alto mar, o
proprietário da Pousada da Morena e do restaurante
Morena Cozinha Contemporânea, em Fernando de Noronha,
sabia que os afazeres diários ficariam em segundo
plano.A seguir, trechos da entrevista:
Zero Hora – Como ocorreu o seu envolvimento?
André Sampaio – Faço radioamador há 30 anos, 22 anos
aqui em Fernando de Noronha. Participo no apoio de todos
estes desastres. Não é hobby, é para servir ao próximo.
Tenho as medalhas Almirante Tamandaré, da Marinha, e
Mérito Santos Dumont, da Aeronáutica. Lembra daquele
veleiro da África do Sul que naufragou no meio do
Atlântico (veleiro Dalkiri, naufragou devido à
tempestade a aproximadamente 2 mil quilômetros da costa
do Rio de Janeiro, em maio)? Quem estava por trás desta
busca era eu.
ZH – Qual o seu equipamento?
Sampaio – Tenho todo o tipo de comunicação. Ondas curtas
(HF), VHF, UHF e via satélite. Em uma sala de mais ou
menos 20 metros quadrados de casa tenho computadores,
rádios, amplificadores de potência. Na rua, são três
torres com antenas, uma de 18 metros e duas de 24
metros.
ZH – E o que o senhor fez?
Sampaio – Pela manhã enviei comunicado aos barcos de
pesca próximos à região. Relatei o evento e pedi atenção
a qualquer destroço no oceano. Em seguida, entrei em
contato com o Salvaero, de Recife, responsável pelas
buscas, e pedi as frequências dos aviões de busca.
Quando aeronaves e controles de terra estão falando bem,
fico só na escuta. Auxilio na comunicação quando eles
perdem o contato.
ZH – Foi o caso de hoje (ontem)?
Sampaio – Sim. Entrei em contato com o avião da marinha
francesa que deixou Cabo Verde para sobrevoar a área do
desaparecimento e retornou à noite para Dacar, no
Senegal. Também mantive contato com três aviões
brasileiros: um da Bahia, e as duas aeronaves que se
deslocavam do Mato Grosso e de Natal.